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REPENSAR A POLÍTICA- O NOVO E SEXTO VOLUME DOS DITOS E ESCRITOS DE MICHEL FOUCAULT

MICHEL FOUCAULT-PORTRAITOrganizei o sexto volume dos Ditos e Escritos de Michel Foucault, que iniciam uma nova série,  tendo em vista aspectos da conjuntura política internacional de hoje e também do contexto brasileiro. Em fase de publicação pela Forense Universitária.

  Neste  volume editamos uma série de textos em que Foucault antecipou as questões essenciais de nossa atualidade : a questão islâmica  a partir da revolução iraniana, a emergência e a importância da China a partir dos problemas e impasses da revolução cultural, a própria questão da revolução e do direito a insurreição, a divisão da Europa pós-Yalta, a crise do “ socialismo real “ na Europa Ocidental, a emergência de um direito dos governados- que constitui uma nova declaração dos direitos do homem-,  a importância crescente da questão das migrações  e dos direitos dos refugiados a partir do problema dos boat-people do Vietnã.   Em alguns destes textos surge  a questão do bio-poder e do racismo e a importância crescente do império das normas. Uma outra importante problemática é  da  investigação sobre as diferentes modalidades históricas da subjetividade frente as técnicas contemporâneas  de esvaziamento do sujeito e  a crítica das figuras identitárias fixas.

Fazem parte ainda deste volume textos ou falas que tratam da questão da justiça e da penalidade a partir do caso Jaubert, o debate com os maoístas franceses sobre o problema do tribunal e da justiça burguesa, a resposta a Domenach sobre os problemas ligados a introdução do conceito de descontinuidade na história , a questão da governabilidade e o direito dos governados e ainda a grande entrevista com Duccio Trombadori que é uma   autobiografia intelectual de Foucault, como notou Daniel Defert.

 

 Resumindo: uma longa sequência sobre o Irã,  uma discussão sobre aChina com K. S. Karol , a crise da Europa do Leste,  a emergência daespiritualidade política, justiça são alguns de seus temas.DSC00549

A imagem ao lado é uma variação que fiz da Infanta Marguerita tratada por P. Picasso.

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Primeira meditação sobre a beleza de François Cheng

François Cheng poeta, calígrafo e romancista fez a sua obra a partir de elementos do Oriente e do Ocidente.Ele falou sobre a beleza na Federação Nacional dos mestres do Yoga na França. Membro da Academia Françesa, tradutor de Baudelaire e Rimbaud em chinês ele possui uma experiência e uma cultura única fruto da circulação entre e por dois mundos.DSC00557

Diz\ êle: Neste tempo de misérias onipresentes,  de violências cegas, de catastrofes naturais ou ecológicas, falar de beleza poderia parecer incongruente, inconveniente e mesmo provocador”.

Cheng situa sua meditação entre dois opostos: o mal e a beleza. Mas o que é o mal? Trata-se do mal que o homem inflinge ao próprio homem.

Em face do mal pergunta-se Cheng que significa a frase de Dostoievski: a beleza salvará o mundo?” O mal e a beleza, eis aí, dois desafios a afrontar.

Se estão nas antípodas um do outro, por vezes se imbricam. O mal pode transformar, mesmo  a beleza em instrumento de engano, de dominação ou morte. Há assim para Cheng uma verdadeira e uma falsa beleza que sabemos distinguir.

Para Cheng há uma razão mais íntima que o leva a tratar a questão da beleza e do mal. É que ainda criança ele foi balançado por estes dois fenômenos extremos na sua manifestação.

 Cheg e sua familia eram originários da província de Jiangxi, onde se encontra o monte Lu. Seus pais o levavam cada ano para um estadia cada ano. Montanha de uma cadeia que se eleva a mais de dois mil metros, o monte Lu domina de um lado o rio Yang-zi e do outro o lago Boyang.  Localizado numa posição excepcional este monte é considerado um dos mais belos lugares da China .Há quinze séculos é visitado por eremitas, poetas, pintores e religiosos.  Ocidentais o descobriram no fim do século XIX,  especialmente missionários protestantes que o vão visitar.. Constroem aiChalets e  cottages..Ele continua hoje a exercer seu poder de fascinação a despeito dos vestígios antigos e das residências modernas, cercado por montanhas cuja beleza original foi preservada.

O quadro que fiz  é uma variação a partir de G. K.

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