UMA BIOGRAFIA ESTÉTICA: O PERÍODO DE CONSTANTINOPLA

1 – Por que Ismailovitch ?

A história da arte no Brasil passa nestes últimos tempos por um sério e complexo processo de mudanças. Em primeiro lugar o momento intelectual em que vivemos marcado por uma postura de avaliação crítica da produção da modernidade. De fato o que caracteriza esta conjuntura é uma análise do que é a modernidade como valor, como sistema de obras, como projeto. Esta analítica da modernidade se pensa como um momento hoje posterior a ela, como um novo sistema de pensamento, de produção estética e mesmo de modos subjetivos de viver o momento contemporâneo. Complexidade portanto de um ponto de ruptura em que a própria percepção do presente adquire ou pretende adquirir para si um novo espaço, um campo novo do ponto de vista filosófico, artístico e mesmo científico.

Há no entanto outros determinantes que importam para pensar o atual momento cultural brasileiro do ponto de vista da história da arte. Um deles é o amplo trabalho de levantamento, de catalogação da arte brasileira do passado, de nossa herança romântica e impressionista que vão de estudos e trabalhos sobre a arquitetura art-nouveaux de nossas cidades até a biografia e a análise de obras de Castagnetto, Parreiras, Visconti e Pedro Américo.

A obra de Dimitri Ismailovitch começa a ser conhecida no Brasil na década em que o modernismo já lançava as bases do que seria a renovação estética da arte brasileira.

Ela chega ao Brasil em 1927 depois de um período em Constantinopla, junto ao Bósforo, de 1921 a 1927.

O destino de Ismailovitch se realiza entre Oriente e Ocidente. Conhece a Revolução no Antigo Império Tsarista, depois realiza um trabalho de restauração, obra sobre as pinturas bizantinas de Kary Djami. E são os monumentos da antiga capital do Império Otomano, suas mesquitas, seus cemitérios, peças da Pérsia vizinha, vidros e tapetes que o pincel de Ismailovitch incansável, vai captando.

Em Atenas reclamam a permanência destas obras no solo grego na breve exposição que lá se realiza. A obra de Ismailovitch desloca-se até aos Estados Unidos da América onde será exibida em Washington e New York. A América, o Novo Mundo era sua terra de eleição, de trabalho por ele até então ignorada. E na América, o Brasil será este ponto de chegada onde ele aporta, a princípio para uma exposição temporária.

No mesmo ano em que chega a Constantinopla junto a Zaretsk e Vassilieff ele expõe a partir de outubro de 1921 no Phare Russe.(1)

Como dissemos o trabalho de Ismailovitch em Constantinopla é de um arqueólogo, de um descobridor. No ano seguinte entre as ruínas da pequena mesquita de Kamem-Kiouk em Istambul construída provavelmente com os restos de uma igreja bizantina, descobriu ele um afresco que nenhum guia registrara. O diretor do Museu Imperial Otomano Haltbey tomou as disposições necessárias para a preservação deste afresco exposto ao ar e ameaçado pelas imtempéries (2).

Em Istambul os pintores russos e migrados se organizam. Fundam a “União dos Pintores Russos” que faz na Caserna Mac-Mahon uma exposição. A comunidade dos pintores russos de Constantinopla conta com cerca de 60 artistas e o objetivo é favorecer seus concidadãos que ficaram na URSS onde há fome devido à guerra civil e às invasões estrangeiras.

Em julho de 1922 o Journal d’Orient insistia no convite paraa visita às exposições dos pintores russos na caserna Mac-Mahon(3), no Taxim. Os artistas russos não possuiam apenas uma tendência, mas diversas escolas. Várias posições estéticas, cubistas, futuristas e impressionistas são expostas ao lado de paisagens e retratos de feitura clássica Becker, Fedoraff, estão alí ao lado de Ismailovitch de cuja obra se diz que ela é “le plus sérieux de l’exposition … présenté par D. I. Dele se lembra seus estudos em Paris.” “Força e sinceridade são diz a crônica artística aquela com que procura se expressar”.

A Associação dos Pintores Russos em Constantinopla contava com o concurso e o interesse do secretário da Embaixada dos Estados Unidos em Constantinopla. M. Foster Stearn. Em novembro de 1923 a Associação o convida para visitar o Atelier, que funcionava na rua Bacran (4).

É um publicista Sanoff correspondente de jornais americanos que o acompanha quando é recebido pelos membros da Associação. O Presidente é o pintor Ivanoff que agradece a instalação do atelier e a exposição. Os artistas oferecem a Stearn um album, encadernada, com ilustrações e inscrições. São obra dos artistas russos. Nele há aquarelas, pequenos quadros a óleo e desenhos todos de motivos russos. O crítico do Press do sou L. K. fala que tem ce coloré lumineux et brillant et cette riche fantasie que le public de Constantinopla a déjà eu l’ocasion d’apprecier.

Entre os artistas expondo contava-se também Bobrinski que produzira o décor para o Ballet Russo nos Petits Champs. Entre os ballets que ele compusera se contava “La Flute Enchantée, Don Quichote.

Há um escultor entre estes artistas: Belinsky.

Em janeiro de 1924 realiza-se uma nova exposição. Alguns artistas, como o autor dos décors dos Ballets abandonaram já Constantinopla. Variedade de temas e estilo dos trabalhos apresentados: miniaturas persas de Sabaneef; impressionismo de Artemoff; estudos de Igrejas bizantinas de Borstcheff. Mas se em meio a esta diversidade há um centro, uma obra que marca sua presença é a de Ismailovitch: “M. Ismailovitch nous présente une série d’oeuvres des plus variées témoignant toutes de la recherche la plus approfondie, tendant a la synthèse de la forme et de la couleur. Ses natures mortes traitant des sujets les plus simples en eux-mêmes démontrent son désir de faire abstration de tout souci d’esthétisme pour se vouer uniquement a l’etude de la facture et sont autant des chefs-d’oeuvres” (5).

O trabalho de Ismailovitch sobre objetos do mundo persa é a síntese de forma e de cor. Suas obras extremamente variadas merecem que se lhe dê o título de “obras primas”.

Entre os visitantes da exposição estiveram o diretor geral do “Banque Impériale Ottomane” Louis Steeg, Max Pompée Diretor da Société Imobilière de Constantinople e Miss Margaret Bryant.

A arte é neste momento retratada como um refúgio para os que perderam a como uma conquista que é objeto de uma luta árdua. Conquista pacífica diz o crítico do Journal d’Orient, que convida ao esquecimento das “preocupações da vida tão conturbada que atravessamos para fazer justiça a esta conquista pacífica”.

Em abril de 1924 Ismailovitch realiza uma exposição individual no Club Russe, rue Telegraph, 15.

São temas locais, que permitem mostrar as fases do artista. Entusiasmo pela beleza do Oriente, pelos antigos bairros de Constantinopla onde os efeitos de luz e cor são superpostos.

Na exposição classifica-se por séries: naturezas mortas, que surpreendem pela audácia de seus tons.

O crítico do Journal d’Orient (6) ressalta o efeito realista dizendo que se esquece totalmente que se está diante de um quadro para sentir la transparence limpide du verre, la mollesse des étoffes, des vieux tapis orientaux aux riches coleurs.

Ismailovitch é um conde ucraniano e que tem contato com círculos dominantes de Constantinopla. É ele que organiza as exposições graças a suas relações com o mundo diplomático de Constantinopla. Não é movido exclusivamente pelo interesse de fazer com que sua obra se sobreponha a de seus colegas, que fazem com que na exposição seus quadros ocupem um espaço não dos mais nocivos. No entanto a crítica ressalta sua importância. 3/2/86.

Em 1876 escrevendo sobre a introdução do sistema parlamentar na Turquia e sob a abolição do harém, do serralho Machado de Assis escrevia: acabou-se o Oriente. Acabou-se a poesia. Os anos em que Ismailovitch trabalha em Constantinopla são aqueles em que este país está sob o impacto da modernização Ocidental. Ismailovitch chega a fazer um retrato de Atarturk que fora embaixador em Londres, em 1926, um desenho do que será o fundador da Nova Turquia.

Ismailovitch no entanto retrata um dos monumentos do passado bizantino de Constantinopla: Karie Djami e vistas do que o mundo islâmico ali construiu. Ele reconhece as novas tendências do modernismo europeu e de vanguarda russa. Mas é a paisagem de Constantinopla, e os vários mundos que ali se encontram que atrai a sua atenção.

Em janeiro de 1925 Ismailovitch vai a vernissage do salão turco que se realiza em Galata – Sarai (7). Ela se realiza anualmente no Liceu, organizado por Djelaleddine Houlossiber. Na sala das festas do Liceu, num lugar de honra cercado por uma rede de veludo vermelho um grande retrato do Presidente da República.

É um deputado por Constantinopla que abre os trabalhos Youssouf Aktchoma bey. Entre os visitantes Ismailovitch que nutre boas relações com os artistas turcos. Junto a ele Eiguiz, Kalmikoff e uma crítica de arte de jornais estrangeiros Mme. Edwards. Diz a gazeta que se constate “les bonnes relations établis entre les premiers et leurs confrères turcs, avec lesquels ils échangent des critiques amicales échanges de vue d’une nation à l’autre qui ne peut qu’être profitable aux deux parties dans le grand domaine international de l’art. Retratos, naturezas mortas, arte decorativa e bustos e estátuas, compõem a exposição onde é o colorido, a luminosidade e a temática oriental que importam.

Em 7 de julho de 1926 se anuncia a exposição “Tintas e linhas do Oriente”. Exposição de Ismailovitch e Kalmikova _ Naturezas mortas de Ismailovitch profundamente penetram no colorido habitual do Oriente (8) O naturalismo de Ismailovitch consiste numa refiguração escultural do objeto, ele consegue materializar a natureza. Suas obras devem figurar uma das maiores exposições de Paris. Dimitri Ismailovitch trabalhador de arte ____ sereno no seu modo de operar no caminho da verdade artística. Tendo estado em 1920 nas margens de Bósforo viu em Bizâncio e no Oriente a possibilidade de um grande trabalho e resolveu reproduzir fragmentos da antigüidade bizantina. Dedicou-se a naturezas mortas e retratos. Em sete anos em Constantinopla realizou um trabalho colossal, mais de mil trabalhos (9). Exatidão de cor e de fatura, diz o articulista.

Com suas reproduções tornou-se um verdadeiro herdeiro de Bizâncio: trabalhou mais de um ano em templos bizantinos e no Instituto de Arqueologia de Constantinopla.

Fez mais de sessenta estudos de Santa Maria Panoroplos e cerca de trinta no Karie Djami. Em sua estadia em Constantinopla Ismailovitch realizou quatro exposições de seus trabalhos, estudos e reproduções e entrou em exposições coletivos.

Ismailovitch pretende expor em Atenas e realizar também uma tournée em direção a América.

Exposition de peinture de l’artiste russe de M. Dimitri Ismailovitch a la salle de l’Hotel Splendid esta é a manchete que estampa o Eleftheron Vinie de Atenas em 8 de março de 1927.

A exposição das pinturas de Ismailovitch permaneceu aberta para o público ateniense apenas dois dias, a 8 e 9 de março de 1927.

Ismailovitch chega de Constantinopla e parte na quinta feira para a Europa e América para continuar a expor suas obras. Ele expõe apenas uma série de obras ___ lamenta a crônica ateniense ___ porque a maioria a que se diz: cerca de mil quadros a permanecer no porto no Pireu, não havendo tempo para expô-los em Atenas.

Em Atenas Ismailovitch não deve vender seus quadros, ele os guarda para a América. Pretende também tomar contato com as correntes artistas e amigos de Arte na Grécia. O elo entre Ismailovitch e o mundo grego é M. Pallis que em Constantinopla o conheceu e que seguiu seu trabalho, especialmente nas reproduções das obras primas bizantinasde Karié Djami, que nos tempos da dominação muçulmana era uma mesquita.

O crítico ateniense do Elephteron Viena liga a Ismailovitch a escola acadêmica positivista: o que ele considera como sendo o realismo. Um artista cujo selo dá provas de muita experência e prova.

Em Atenas se diz que ele estudou em Petrogrado e em Kiev onde ele teria nascido.

Em Constantinopla ele se refugia depois de ter sido oficial de reserva por causa de seu serviço no exército imperial.

Em Constantinopla “ou il a séjournée bon nombre d’années. Il a crée une vaste oeuvre tirée des Eglises byzantines, des mosquées historiques, la mer, les collines et les monuments de Constantinople”.

Ismailovitch expõe na sala Splendide cerca de vinte obras: são imagens, topografias e mosaico de Cabriré Tzamir. Esta série expõe a arte bizantina no seu apogeu e especialmente na figura de S. Demetrius.

O crítico considera o mundo de Bizâncio como o de uma eterna beleza que os olhos de Ismailovitch pela delicadeza de suas reproduções, revela como uma preocupação atual, que impressiona profundamente.

Em Atenas a arte bizantina é pensada como uma produção do mundo grego de que o trabalho de Ismailovitch seria uma “defesa e ilustração”(11) junto ao mundo europeu e americano. Atitude de reconhecimento para com o artista visitante.

Na exposição estão também uma série de naturezas mortas __ “cores vivas e espessas” __ atraentes e atentamente trabalhadas.

Os outros quadros – cerca de cinqüenta tem seu motivo – tirados “do coração mesmo da história de Istambul, ou da onda sedutora do Bósforo”. (12) A crítica considerava que as tendências do modernismo contemporâneo considerariam a obra de Ismailovitch “conservadora”- mas ele goza de um valor positivo.

Desembaraçada de pessoas e coisas de exageros e desfigurações. O centro não apoia visivelmente tendências que, do cubismo ao impressionismo ou ao surrealismo atravessam a arte do século XX; tendências com que a obra de Ismailovitch também apresenta pontos de convergência, de entrecruzamento. Com a arte abstrata ele irá realizar mesmo uma parte de seu trabalho.

A exposição de Ismailovitch leva na verdade tres dias e o Mensageiro de Atenas que noticía “les eglises transformées en mosquées” – peinture et mosaiques – pelos turcos – lembra que estas obras “cujos” motivos decorativos pertencem as mais belas épocas da arte bizantina, são apresentados ao público pela primeira vez.

Os jornais de Atenas lembram que Ismailovitch depois de permanecer seis anos em Constantinopla pretende se fazer conhecer na América e depois na Inglaterra. Em Atenas a exposição é vista como um trabalho de salvação de restauração de algo que “escapou a destruição dos turcos”. Na época bizantina as obras reproduzidas estavam no monastério de Cora.

“Floraison de beauté sur l’empire grec déclinant, exactement à l’heure on Cimabue et Giotto donnaient la vie à la peinture occidentale”.

Diz o crítico, cujo nome se conserva das telas ismailovitchianas:

“Rien n’est plus vivant, plus expressif que ces traits tourmentés de Prophètes ou ces figures de jeune saints en qui l’on retrove un peu les éphèbes de l’Hellade classique”. (13)

E continua ele a invocar a piedade inigualável e a suavidade de Theodore Metochitis e do Cristo louro sentado no trono que recebe suas homenagens.

Inigualável Cora com suas maravilhas bizantinas diante das quais silenciou a personalidade do artista.

Seu vigor aparece nas vistas de Constantinopla no modelar das cabeças, nos “brocards anciens, nas aiguillères exilées, les verres en couleur, les faiances, oeuvres d’artisans byzantines et turcs, sous de curieux effets de lumière.

Ismailovitch devia partir no dia 1º de março para os EUA. No dia 9 a exposição permaneceu aberta as 10 horas e de tres a seis horas, na rue do Stade.

A exposição foi visitada pelo Diretor do Museu e por outra autoridade artística de Atenas. 12/4/86.

A Revista semanal KYRIAKI de Atenas de 13 de março de 1927 um artigo sobre Ismailovitch considerou o trabalho por ele realizado na Igreja bizantina do Monastério de Cora como um grande acontecimento na arte grega.

“Ce que des peintres grecs auraient du déjà avoir fait se fut un artiste russe qui l’a realisé” . Os quadros do Monastério de Cora estão entre os mais belos bizantinos conservados até hoje. Do trabalho do artista se diz: “Les reproductions du sont travaillées avec grande attention et scrupule jus’qua leurs moindres détails et donnent le noble caractère et la particularité de chef d’oeuvres byzantins.

E insiste-se no carater majestático e imperial da grande arte bizantina “la majesté du Crist la virginale simplicité de la Sainte Vierge, la noblesse dans la pose des Saints sont rendus d’une justesse étonnante. Em Atenas se insiste dizendo que estas obras deveriam lá permanecer; mas que elas se destinam a América, o país dos dólares. (Esta coleção no entanto em sua maior parte Ismailovitch que não era meramente um comerciante, mas um artista nobre a conservará em sua maior parte consigo.

Insiste-se ainda no Kyriaki no carater das naturezas mortas e paisagens que ele pintou que elas conservam o vivo multicolorido do Oriente, a impressão da atmosfera Oriental de Constantinopla.

Em maio de 1927, cerca de dois meses depois Ismailovitch está em Washington. Do dia 14 de maio ao dia 27 a Gallery Gordon Dunthorne exibe no 110, Connecticut Avenue, D. C. as pinturas da coleção de Constantinopla de Ismailovitch.

Mrs. Woodrow Wilson, mulher do Presidente Wilson visita a exposição de Ismailovitch, assim como Arthur Dilley consellor of oriental rugs, de Ney York, o Diretor da Corcoran gallery of art de Washington Mr. Guthbert Powell Minigebrode, Ms. Stokely Williams Morgan, o Enuoy extraordinary and Minister Plenipotenciary of the Albanian Republic Faik Konitza e ainda do Serviço Diplomático dos Estados Unidos Jefferson Patterson (Segundo secretário) e Gardiner Kowland Shaw (Secretário), além de Mrs. Robert Whitney Imbire.

A exposição bizantina seguirá para New York para o Bósforo Museum. Em seguida no Rio, ela será exibida na Embaixada Americana e depois no Victoria and Albert Museum de Londres.

Ismailovitch acompanhará suas obras, mas seu ponto fixo, sua nova residência en la tierra, sua nova pátria de adoção será o Brasil e o Rio a cidade em que ele viverá por cerca de cinquenta anos até seus últimos dias.

A pintura bizantina Ismailovitch irá fundí-la com o Barroco Brasileiro, com os casarões coloniais de Ouro Preto, com os Profetas e Apóstolos do Aleijadinho, com as Igrejas de Pernambuco e os mosteiros da Bahia. 20/4/1986.

Em Washington a 20 de maio de 1927 nas notícias sociais da capital de Washington Post que Mr. Gordon Dunthorne enviou convites para uma exibição especial de pinturas a óleo sobre Constantinopla, que se fez no 1110 na Avenue Conecticutt até sexta feira.

No Sunday Star, do dia 22 se anuncia a morte de Ismailovitch que deve se realizar do dia 14 até o dia 25 de maio. “O interesse principal da exibição” escreve Leila Mechlin “centra-se numa série de cópias e mosaicos da Igreja Bizantina do Santo Salvador em Istambul.

A Igreja construída no século XIV foi depois transformada em uma mesquita pelos muçulmanos que lhe acrescentaram um mirante. Nesta transformação as pinturas foram cobertas. Cerca de setenta anos (antes de 27) um chefe do governo turco resolveu retirar a tinta que cobria as pinturas. Mechlin lembra que Ismailovitch passou sete anos em Constantinopla reproduzindo com (painstanking care all of the frescoes and mosaics in the mosque, copiando-os cuidadosamente em sua condição atual as figuras pintadas e as decorações que emolduram.

A crítica lembra que ele indica mesmo o tamanho e a forma dos mosaicos. Tão minuciosos e animados são os trabalhos (rendenring ?) que se diz que se algo acontessece a mesquita hoje seria perfeitamente possível reproduzir esta obra.

“De um ponto de vista histórico e em conexão com a história da arte estas reproduções são de genuina importância.

Leila Mechlin comenta ainda que Ismailowitch mostra ainda um certo número de esboços coloridos de cenas de Constantinopla e seus arredores, naturezas mortas e alguns retratos.

A arte de retratar que se tornaria um dos pontos importantes da obra de Ismailovitch no Brasil ele já a pratica e expõe então.

A crítica atém-se ao carater realista da pintura de Ismailovitch. Ela lembra o carater “científico” da reprodução de suas naturezas mortas. E que ele não participa da técnica dos impressionistas, da dissolução, da multiplicação difusa dos efeitos de luz;

These (retratos e sketches) are all done with the extreme care and accuracy of a scientific illustrator. They are realistic and traditional works showing no trace of modern influence or of the influence of the outdoor impressionist school; in fact this exhibition takes one into a different atmosphere from wich is usual and to a land many different from our own”.

O artigo se completa com uma nota biográfica sobre Ismailovitch lembrando que ele servira durante o exército russo durante a guerra. Que estudara arte na Russia e em Paris. O crítico pensa no entanto que ele curiosamente mostra poucos traços seja de influência russa ou francesa. Que tampouco é oriental seu estilo ou flavour, a menos que este seja o do Oriente de hoje.

Sua introdução nos Estados Unidos se fez com cartas de Jefferson Patterson segundo secretário da Embaixada Americana em Constantinopla. Este viu suas obras exibidas em novembro do ano anterior in Robert College. A partir daí passou a ter contato com o pintor e suas produções. A exposição conta com cerca de setecentas produções do pintor (nos EUA). Leila informa que ele deverá seguir para a Inglaterra onde realizará uma exibição (comprehensive exhibition). O Washington Post do dia 22/5 noticiava as exposições em curso na capital americana na National Gallery of Art no National Museum no foyer gallery, no Philips Memorial Gallery, na Dunthorne’s Gallery e no Arts Club. 20.17. Nesta Dunthorne expunha as pinturas de Ismailovitch, enquanto nas primeiras se expõe as coleções permanentes das Instituições. Na Free Gallery Whistler e arte oriental – Na Phillips M

pinturas modernas de Marjorie Philips; na Dunthorne Gallery miniaturas indús e por outro lado Alfred Hutty etchings de George Burr.

No Post Ada Raeney escrevia também sobre as cenas de Constantinopla.

Ismailovitch que por sete anos viveu em Constantinopla exibe suas pinturas sob os auspícios de Gordon Dunthorne. Este conheceu Ismailovitch através de uma figura do Departamento de Estado, Mr. Shaw.

Na própria Galeria Dunthorne não havia espaço e por isto foi realizada em outra Galeria.

A divisão das obras ismailovitcianas se fez entre as cenas das mesquitas, igrejas e edifícios da cidade com as paisagens circumvizinhas, as reproduções das pinturas de uma das mesquitas recentemente descobertas.

Trata-se das pinturas bizantinas: elas “são de grande beleza de desenho e colorido” diz Ada: elas são “tremendously well reproduced, the artist has given the feeling of the old forms and the mosaics are painted with all the brilliance of the originals”.

“The views of the city proper and its many fascinating are printed with excellent sense of design, and treated in an original and unique manner. It becomse and efective means of seeing the romantic and pittoresque city of the Bosphorus. through the eyes of the Russian. There is an impression of near eastern scne spread out before us by an observer of the vivid and Oriental aspect of Constantinople. This exhibition adds color and vividness to the current exhibitions at the moment.”

Em seguida a exposição se desloca para New york. E o Brooklyn Museum que exibe 118 pinturas (on cardboard panels) dois portfolios (for storage during the exhibition) com conteúdo trinta e uma páginas de pintura.

O Museu as recebeu a 11 de junho: o New York Times noticia a exposição no sábado no dia 3 de julho de 1927, na Seção – “Brief notes of the art world”. Diz a notícia:

“A special exhibition of all peintures executed in Constantinopla by the Russian artist Dimitri Ismailovitch, now being shown at the Brooklyn Museum, ends Wednesday. Of chief interest in this exhibition is a series of accurate copies of frescoes and mosaics in the ancient Byzantine church Kahrine Djami in Istambul. This church was restored by Theodor Metohit em 1306. In the fifteenth century was converted into a Mosque by the moslems, whereupon the frescoes and mosaics were white washed. A turkish ruler, Abderl Azis, had the whitewashed removed some years ago. Mr. Ismailovitch spent a long time in Constantinopla, reproducing the frescoes and mosaics. He has copied in their present condition the figure paintings and ornamental borders and it is said that his work has been so succesful that if anything happened to the mosque today the work could be perfectly reproduced. Mr. Ismailovitch also is showing a number of sketches and still-life studies.”

1) Presse du Soir – nº 247 – jeudi, 20 de octobre de 1921: in une exposition des beaux arts, em frances.

2) Journal d’Orient – année 1354 – 7-11-27 Decouverte d’une fresque bizantyne

3- Journal d’Orient – 7-7-22. Exposition de peinture de da Caserne Mac-Mahon.

4) Presses du Soir, nº 280 – 27/11/22 – Témoignage de sa gratitude de l’Association des Peintres Russes a M. Stearn

5) Jounal d’Orient – 20 janeiro de 1923. Exposition des Peintres Russes en la Caserne Mac-Mahon. VI ânné nº 1371.

6) Journal d’Orient – 5 avril 1924.

(7) La Gazette – 19/1/925.

(8) RUSSIA, 7-7-1926 -,(em russo) A. B. – Ine.

(9) Almanaque: Russos no Bósforo.

(11) O jornal diz propaganda

(13) Messager d’Athene – Mercredi, 9 mais 1927.