PRÓLOGO

As memórias e a escrita de hoje aboliram há muito tempo o começo e o fim dos textos. Para alguns o círculo que se fecha tem algum atrativo como as serpentes exotéricas que mordem a própria cauda. Outros preferem começar as estórias pelo fim ou duvidam quanto ao ponto em que devem começar a faze- lo. Essa matéria exige a forma mais ou menos tradicional da narrativa, ainda que a vontade de ruptura nos leve a subvertê- la de uma vez. É assim que vamos tentar começar e manter a sequência.

Nos idos de março se retoma este texto antigo, escrito décadas atrás.

Epílogo

E agora? Terminei esta obra?Posso dizer terminada a obra? Não poderei afirmar hoje que ela é indestrutível, que é mais sólida que o mármore ou o bronze, e que nnem a cólera de Deus ou dos Deuses a poderão destruir.que ela escapará incolume as ameaças do fogo e da agua, que ela se tornará uma parte do tempo, se identificará a ele e tomará por décadas e séculos, mil faces. Que ela escapará a fatalidade da morte do autor e se converterá como um astro para além da alma ou do sujeito que escreve imperecível, igual a matéria impressa de que é feita, imortal, idêntica para sempre a si mesma, e que tão longe quanto esta lingua durar, por onde a história deste pais e deste povo- esta terra brasilis-, existir pela terra e pelo tempo afora- pelo espaço, pelo universo, eu que me extingo, neste texto, como o que. Fala, ou melhor como o que escreve, levado por esta verdade ou estas verdades  de que fui o arauto- estarei vivo!

Fin  Fim End