Arquivo para Fevereiro de 2010

Lenda do nascimento do Tao-Te-King escrita por Lao-Tseu no caminho do exílio

Lao-Tseu

Lao-Tseu

                                                                                 1

Quando seu corpo tornou-se heptagenário e nada ágil,

O mestre teve grande desejo, grande desejo de repouso,

Porque a bondade no país estava frágil

E a maldade poderosa de novo

Ele pôs sua sandália e a enlaçou em cima.

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Fez um pacote do que era necessário para viver:

Bem pouco.Havia no entanto, isto e aquilo.

A pipa que ele fumava todas as noites e o livro

Que ele lia sempre, de pequeníssimo formato.

E o pão branco que a vista d´olhos ele cortou.

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Teve o prazer ainda de ver o vale.

Ele o esquecera desde que tomara o caminho motanhoso.

E seu boi, satisfeito com sua ´tranquilo pastoreio,

Ruminando,calmamente e ao mesmo tempo  levando o velho,

Para este último menos rápido era o melhor.

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o homem num movimento de belo e bom humor,

Acrescentou:ele mais ou menos se retirou?

O garoto diz:”Que a ´`agua que docemente alisa

A pedra enorme com o tempo a desfaz.

Você vê: o que é duro é superado.

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E para não perder a última luz,

O garoto aguilhoou o boi. Já os três,

Contornando um grande pinheiro, desapareciam atrás,

Quando subitamente pela trilha e alteando a voz,

Nosso homem acorreu: Ei, você! Pare!

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O que você quer dizer com sua água velho homem pergunta.

O velhinho se deteve: “Isso te interessa, amigo perguntou.”

Sou apenas um agente aduaneiro, diz nosso homem,

Mas saber quem triunfa e quem não, me interessa.

A mim também. Então, se você sabe, diga!

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Escreva! Dite a este garoto! Coisa semelhante,

Nâo se guarda para si, quando nos vamos.

Tenho papel comigo, um vidro de tinta,

e tenho com que  jantar: a casa é lá em baixo.

Está entendido, você segue meus passos, perguntou.

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O velho lançou osbre nosso homem um olhar rápido:

Roupa toda esmulambada. Pés sem sapato. E depois

Um rosto marcado, uma fronte que era apenas marcas.

Ah! Não era um vencedor que ele tinha diante dele!

E murmurou baixinho:” Você também!

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Para recusar as demandas polidas de uma pessoa,

O velho homem era velho demais, perguntou. Pareci

Porque disse com a  voz bem alta:”Um homem qu questiona

Merece resposta.” E o garoto: Está fresco.

Uma pequena parada, não será muito ruim.”

 

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De seu boi desceu o sábio.Eles escreveram

O garoto e ele durante sete dias. O aduaneiro

lhes trazia a sopa (e não ousava mais maldizer,

senão baixo, entre os dentes, todos os contrabandistas.)

E a coisa chegou a seu ponto final.

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Oiitenta e uma eram as máximas  do sábio,

O garoto uma manhã ao aduaneiro as entregou.

Depois com seu pequeno pacote para a viagem,

Retornaram a trilha com um muito obrigado.

Pode-se, diga-me, ser mais polido, pergunto.

 

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Mas não celebremos apenas o sábio

Cujo nome no meio do livro resplandesce! 

                                    

A sabedoria do sábio é fruto de um arrancar.

Ao aduaneiro também digamos então um obrigado:

O homem que a arrancou foi êle.

Tradução de Manoel B. da Motta

Da tradução de Brecht de MTT:Pensamentos ao sobrevoar a Grande Muralha

AECTYZHCAZ8SRYTCA50CPBICAYV5JZ6CAD0QUFKCAZU8766CA2RIQG0CAL60RYDCA90K3BUCA6277IQCAJ1HP0GCAMZRDW6CAX4VTPWCAA2MDKDCASM3EWWCAB5YX6ECAHSBKPJCABE8FR2CANQNUY3imagesAbaixo de mim a imagem da paisagem nórdica

De mil léguas de neve alada,

Imóvel

O Rio Amarelo, de tão alto

Agora sem violência. Entre ele e nós,

Vaporosas, feitas de púrpura e de brancura, tufos de nuvens.

Pastos e campos cultivados dos dois lados

Da Grande Muralha.Quantos pretendentes já se inclinaram diante de você.

Todos os Reis dignos de pena dos |Tchin e dos Han

Cujo saber era bem limitado,

Os Tang e os Song, frívolos até o excesso!

E o altivo Tchingis-Khan,

Filho único de uma dinastia!

Ele também não, sabia  apenas

Estender seu arco.

Todos pereceram.

Mas hoje ainda

Olhem no entanto os grandes senhores: sempre

Cheios da má e velha avidez!

tradução de Manoel Motta

Bertolt Brecht:Conselho aos pintores e aos escultores a respeito da sorte de suas obras nas guerras que virão

Esta manhã eu pensava

Que também não vocês, que pintam e desenham

E vocês que utilizam o cizel

Nestes tempos de grandes guerras iminentes

Vocês também não tem de que rir.

Vocês fundam suas esperanças

Estas esperanças necessárias a criação de obras de arte –

em primeiro lugar em cima das geraçãoes futuras?

Então para os quadros, os desenhos, as estátuas

Que lhes custaram tantas privações

Voces devem desencavar bons esconderijos.

Sonhem por exemplo com os tesouros do British Museum

Arrancados por alto preço de homens e de dinheiro

em todos os cantos,as obras

Dos povos desaparecidos, conservados em tal lugar da rua:

Algumas bombas podem reduzi-las em poeira

Uma destas manhãs entre nove horas e nove horas e dez.

Onde então ir com suas obras?Muito pouco saguros

Os cascos dos navios, as casas de repouso no fundo da floresta,

as caixa fortes dos bancos, muito pouco seguras!

Vocês devem tentar obter permissão

De abrigar suas telas nos túneis do metro

Ou melhor ainda nos abrigos subterrâneos para aviôes.

Estes abrigos de cimento armado, profundos, de sete andares.

Quadros pintados nas paredes

Não tomam lugar algum, não é verdade?

E duas ou três naturezas mortas ou paisagens

Não perturbarão os equipamentos dos bombardeiros.

È certo, seria necessário que em lugares bem visíveis

Colocar pequenos painéis onde se possa facilmente ler

Que em tal ou qual profundidade, sob tal ou qual imóvel

( ou sob tal massa de pedra)

Encontra-se precisamente uma pequena tela feita por você,

Representando o rosto de sua mulher.

 

Assim as gerações futuras, os seus consoladores antes de nascer

Aprenderão um dia que a arte existiu no nosso tempo

E se entregarão a escavações, desbastando a golpes de uma pá os escombros

Enquanto o olheiro vestido de  uma pele de urso,

Deitado no alto de um arranha-céu, fusil ( ou arco ) na mão, colocado sob seus joelhos,

Inspectionará o horizonte a procura do inimigo ou de um  pássaro

Que ele espera para encher seu estômago, gritando fome.

tradução de Manoel Motta

O corpo feminino: no rosto a tecnologia face a idade

O jornal françês Le figaro publica a opinião de várias figuras da área médica sobre ” rejuvenescimento” do rosto feminino- as melhores estratégias.

Várias opiniões: a do dermatologista que fala de uma mulher com pele normal  que vai perder gradativamente… o brilho.

As intervençoes mudam conforme a idade: aos 40 anos o que chama em inglês ” un lunch time peel. Trata-se de um peeling ligeiro com ácido glicólico Ele ão produz vermelhidôes diz o artigo e renova a epiderme.Permite ainda uma melhor penetração dos produtos cosméticos.

As intervenções propostas  são em série e previstas no curso dos anos. Neste caso seriam 3 a cada ano.Os meses são também previstos: de outubro a março. Porque não  uma outra série?

Sugere-se também drenagens linfáticas para evitar a retenção de água e edema principalmente ao nível dos olhos.

A reportagem cita ainda as opiniões do médico  esteticista e do cirurgião estético.

Constantin Cavafy: Mar de manhã

Que eu me detenha aqui!… E que por minha vez eu contemple um pouco a natureza…Belas cores azuis do mar de manhã e do céu sem núvens…Areias amarelas.. Tudo isto iluminado com grandeza e magnificência…Sim deter-me aqui e figurar para mim que vejo esta paisagem ( na verdade, eu a percebi chegando, no espaço de um segundo) e não apenas minhas ilusões, minhas lembranças, meus voluptuosos fantasmas…

tradução de Manoel Motta

a partir do françês de Marguerite Yourcenar.

Constantin Cavafy :O ourives

Sobre este puro vaso de prata, executado para a exótica residência de Heráclida, coloquei flores, ervas, riachos.E, bem no meio, um belo jovem nu, inspirando o amor.Uma de suas pernas está imersa na água até o joelho… ò minha memória eu te supliquei de vir fielmente me ajudar a fim de que eu possa reproduzir tal qual o rosto do jovem que amei.Mas a dificuldade era grande, porque há cerca de quinze anos que ele caiu em pleno combate no campo fatal da batalhe de Magnésia.

tradução de M. Motta

a partir do françês de Margueritte Yourcenar.

Constantin Cavafy: As Termópilas

3005Honra por toda a vida aos que se deram como tarefa a defesa das Termópilas!Jamais afastando-se do dever, equitativos e justos em todas as coisas, mas também indulgentes e piedosos, generosos quando ricos, quando pobres generosos também na medida de seus recursos e socorrendo os outros tanto quanto podem, verdadeiros, mas sem ódio contra os que mentem.

E mais do que nunca dignos de louvor se se dão conta ( e eles o fazem por vezes) que Efialtes vai aparecer e que os medas vão levar a melhor.

tradução de Manoel Motta

a partir do françês de Marguerite Yourcenar.

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Constantin Cavafy : Embaixadores de Alexandria

Há séculos não se vira em Delfos oferendas tão ricas quanto a dos dois Ptolomeus, os dois reis, os dois irmãos rivais.Mas os sacerdotes que os receberam estão inquietos.Vão precisar de toda a sua experiência para compor com sagacidade o oráculo que lhes pedem.Qual dos dois irmãos vale mais descontentar?Os sacerdotes reunem-se novo em segredo e discutem as questões de família dos Lágides.

Mas os embaixadores reaparecem.Eles voltampara Alexandria, dizem: eles se retiram e não demandam mais nenhum oráculo.Os sacerdotes se alegram: e conservam as magníficas oferendas.Mas ficam muito intrigados , não compreendendo de onde vem esta súbita indiferença.Porque ignoram que ontem graves notícias chegaram aos embaixadores.O oráculo foi enunciado em Roma.A partilha foi feita lá.

tradução de Manoel Motta

a partir do françês de Marguerite Yourcenar.

Escolas do Rio – o som e as imagens

No carnaval sem dúvida se circula em uma floresta de símbolos em que sons, imagens, cheiros se confundem. E se repetem . A homenagem de Brásilia nos cinquenta anos foi repetida no Rio. E os comentaristas da tv muitas vezes quando não liam os textos escritos preparados  navegavam no domínio da fórmula imortal de N. Rodrigues do  óbvio ululante. Mas a maior foi a de considerar as religiôes apenas como ” algo necessário em que se agarrar. è muito pouco para a antiga função simbólica, neste caso bastante dissolvida num  falso ecumenismo  bastante duvidoso. A disciplina do espétáculo muito presente, devido aos riscos de acidentes e falhas com carros enormes se faz presente muitas vezes. A parte sonora dos desfiles não é objeto de muita inovação. A mudança se dá sempre no campo visual em que os recursos high tech: lâmpadas , pedras artificiais ocupam um espaço cada vez maior. Mas que permitem surpresas.

O tema dos mistérios mergulha numa ala obscura com a máfia ou com as máfias…

O Dom Quixote de Rosa Magalhâes é um pouco antigo, um pouco convencional e ignora o sentido da da renascença e da idade clássica ou barroca.

A era do livro faz um percurso intenressante por Homero, Alice, mas não mostra o que para mim é a era da episteme digital ou um apocalipse feliz…

Constantin Cavafy: Os passos

NeroSobre o leito de marfim ornado com águias de coral, Nero dorme em profundo sono.Inconsciente, calmo, feliz, ele floresce no bem estar da carne e a bela força de sua juventude.

Mas na sala de alabastro que contém o antigo altar dos Aenobarbus, seus Lares estão inquietos.Os pequenos deuses da casa ouviram um rumor nefasto subindo a escada, passos de ferro que fazem tremer os degraus. Os miseráveis Lares ocultam da melhor maneira seus corpos minúsculos; todos se esvaindo os pequenos deuses se batem, se chocam, caem de lado uns sobre os outros, no fundo do altar doméstico porque compreenderam qual é este rumor: reconhecem por fim os passos das Eríneas.

tradução de Manoel Motta

a partir do françês de Marguerite Yourcenar.